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Entenda por que a Justiça britânica julga rompimen...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 21/10/2024 às 21:48 · Atualizado há 1 semana

Continua após publicidade Vista da devastação provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG) TRAGÉDIA Vista da devastação provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG): indenização pode ser a maior dada pelo tribunal britânico (Divulgação/VEJA.com) Continua após publicidade

A Justiça britânica começou a julgar nesta segunda-feira,21, o que é considerado o maior crime ambiental do mundo: o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, que ocorreu em 2015.  O acidente causou uma avalanche de lama que matou 19 pessoas, engoliu comunidades inteiras e despejou 60 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro em cursos d’água em toda a bacia do Rio Doce. O caso foi levado para lá porque a dona da barragem em questão, a Samarco Mineradora, é sócia da anglo-australiana BHP Billinton, que tem ações na Bolsa de Valores do Reino Unido.

Trata-se de uma ação coletiva, que reúne os processos de 620 mil pessoas, 46 municípios e 1,5 mil pessoas. Todas são julgadas ao mesmo tempo. As vítimas pedem indenização de R$ 230 bilhões de reais à mineradora BHP Billinton. Se as vítimas vencerem, esse será o maior valor já pago pela Justiça britânica. Ao alcançar novos níveis de responsabilização por crimes ambientais, o caso deve afetar ações mundo afora, inclusive no Brasil, onde ainda tramita o tragédia de Brumadinho, que deixou mais de 270 mortos, em 2019.

Como foi a transferência do caso para o Reino Unido

Dois anos depois do acidente, um advogado brasileiro, considerando que a BHP tem ações na Bolsa de Valores do Reino Unido, achou que seria possível levar o caso para lá. A manobra deu certo graças à parceria com um colega galês, Tom Goodhead, que passou a representar às vítimas nesse caso no tribunal inglês. A empresa considera o julgamento internacional uma medida extrema, visto que há uma ação em tramitação na Justiça brasileira, desde 2018.

O julgamento deve durar até março de 2025, quando então o calor da reparação será definida. O mais importante é que o caso deverá seguir a legislação ambiental brasileira, apesar de ser um caso internacional. Goodhead acredita que a empresa seja civilmente responsabilizada pelo colapso da estrutura por ação ou omissão voluntária, o que a levará a responder por danos causados na qualidade de acionista controladora.


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