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Por Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer – Brasil de Fato
O senador Humberto Costa (PT-PE), que foi ministro da Saúde no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar o inquérito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid corrige um arquivamento marcado por “motivação política”, que deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passar “impunemente” por crimes cometidos no período.
A CPI funcionou no Senado entre abril e outubro de 2021 e investigou a condução do governo Bolsonaro durante a pandemia, incluindo a omissão na compra de vacinas, a promoção de tratamentos ineficazes e a responsabilidade pelas mortes evitáveis. O relatório final, que reunia, segundo o senador, “provas bastante importantes, bastante robustas”, pediu o indiciamento de Bolsonaro e de outras autoridades por charlatanismo, epidemia com resultado de morte e crime contra a humanidade.
Na época, o material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), então chefiada por Augusto Aras, que arquivou os pedidos sob a alegação de falta de elementos para a abertura de ações penais. Costa foi um dos integrantes da comissão, presidida por Omar Aziz (PSD-AM) e que teve Renan Calheiros (MDB-AL) como relator.
Nós tivemos o arquivamento dessas denúncias sem sequer uma avaliação mais adequada, sem investigações complementares. Então isso vem numa ótima hora, porque essa página trágica do governo Bolsonaro tem passado impunemente
— celebra, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Como o Aras foi indicado por Bolsonaro, eu acredito que ele fez um serviço para Bolsonaro e mais um grupo de pessoas que foram indiciadas pela CPI. A Procuradoria-Geral da República ignorou totalmente todo aquele trabalho que foi feito
— denuncia.
CPI da Covid investigou condução do governo Bolsonaro durante a pandemia (Foto: Agência Senado)
Condução irresponsável do governo Bolsonaro durante pandemia da Covid
O parlamentar caracteriza a decisão do ministro Flávio Dino como umas das “mais importantes dos últimos anos” e ressalta que ao menos dois terços das mais de 700 mil mortes ocorridas durante a crise sanitária no Brasil poderiam ter sido evitadas com medidas de isolamento, lockdown e compra antecipada de vacinas.
Nós tínhamos informações num nível como poucas CPIs já conseguiram levantar. Era evidente a condução irresponsável por parte de Bolsonaro. São números elaborados por pesquisadores e totalmente aceitos pela comunidade científica internacional
— aponta.
Além da CPI, Humberto Costa também fez críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Ele classifica o projeto como “claramente imoral, indecente” e diz acreditar que será rejeitado no Senado, “sepultada no lixo da história”, graças à pressão da opinião pública.
O senador ainda comentou a crise política envolvendo o União Brasil e avaliou que a legenda tenta criar uma “falsa indignação” após denúncias contra seu presidente, Antonio Rueda. Também destacou que a pauta da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, que teve a sua urgência aprovada, “não interessa ao Brasil” e que o Congresso deveria priorizar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a tarifa social de energia elétrica.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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